No fio da Espada

A História da Redenção Humana


Da antiguidade aos dias atuais.



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A história da humanidade pode ser lida, sob diversos prismas, como uma longa e contínua busca por redenção.

Desde os primeiros relatos míticos até as reflexões filosóficas contemporâneas, o ser humano se percebe como um ser em falta, incompleto, dividido entre aquilo que é e o que poderia ser.

A redenção nasce exatamente nesse intervalo: no espaço entre a queda e a possibilidade de elevação, entre o erro e a consciência, entre o caos e a ordem interior, entre a inércia e a necessidade da reconstrução.

Nas tradições mais antigas, a redenção surge com o mito de Adão e Eva, relatado na História Bíblica, presente na tradição judaico-cristã, que muitos entendem que a desobediência dos mesmos criou o pecado o qual é entendido como o responsável pelos males do mundo. Isso não trata apenas de um erro moral, mas do despertar da consciência humana e da iniciativa.

Ao comer do fruto do conhecimento, disponível no que era denominado paraiso e definido como proibido deu a Eles o princípio do discernimento e o ser humano passou a perceber o bem e o mal, a vida e a morte, o tempo e a responsabilidade.

A expulsão do paraíso não é apenas punição, mas o início da jornada humana no mundo da escolha, do trabalho e da dor, de que as necessidades devam ser garantidas da ação de cada um sobre a realidade do meio e da consciência da sua condição humana inserido no tempo e a responsabilidade com a vida, mas também com liberdade e suas ações no meio.

Até aqui aparentemente está tudo certo. Mas um detalhe nós alerta que com toda essa condição de descobertas o homem, entre os erros e acertos, aglutinou na sua condição o egoísmo e a ganância que para satisfazer esses sentimentos foi necessário fomentar a ignorância, não no sentido de não ter informação, mas o da alienação e a manipulação da narrativa para satisfazer os próprios interresses e necessidades.

Com a escassez de elementos necessários para a sobrevivência no meio em que estavam inceridos surgiu a necessidade de produzir e acumular. Para isso foi necessário a reorganização dos seres em uma sociedade ainda que primitiva mas em que previa a condição da divisão das atividades e funções propiciando aos mais espertos a função de controlar as atividades de outros iniciando portanto o princípio da divisão da comunidade primitiva em classe e a posse dos meios para a sucessão em curso dando início assim ao princípio da propriedade privada. Para esse processo vigorar foi necessário a manipulação e a exploração de um igual sobre os outros que no início se tratava da imposição da escravatura. Nascendo assim, Históricamente, as mais diferentes relações de classes onde uma minoria submete a exploração sobre a maioria. Situação essa identificada na atualidade como a sociedade mais perversa da humanidade que denominamos sistema capitalista.

Essa condição, sim, definido como pecado original e está ai o surgimento de todas as injustiças e dos males que assolam o mundo até hoje. Onde um para defender e acumular lucro justificam a exploração sobre os outros que são submetidos às mais variadas injustiças, barbáries e distopias. Sobretudo com o uso e a submissão a esse pecado usando o nome de Deus.

Em mitologias antigas, o ser humano é frequentemente descrito como alguém que se afasta da ordem cósmica e, por isso, precisa empreender uma jornada de retorno.

A redenção, portanto, não é um evento isolado, mas um processo: um movimento de retorno à harmonia perdida, agora não mais pela inocência, mas pela consciência.

Mas vejamos: Segundo a História Bíblica, na antiguidade o cidadão para obter a sua redenção e eliminar os seus pecados, escolhia um animal, existente em sua propriedade, que não tinha nada a ver com os pecados do seu dono, era oferecido ao sacerdote para sacificar em oferenda à Deus em troca de limpar os pecados do proprietário. E assim ocorria o procedimento e a pessoa ia de volta para sua moradia convicto de estava livre dos pecados. Cabe lembrar que na grande maioria de cunho moral. Porque lá nas suas posses mantinham semelhantes escravizados, os quais eram a força de trabalho de sua propriedade que o enchia cada dia de lucros com o resultado de seus trabalhos principalmente escravo.

Nas tradições hebraicas, a redenção assume um caráter coletivo e histórico.

O Êxodo, a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, é um dos símbolos mais fortes dessa ideia. Redimir, aqui, não significa apenas salvar almas individuais, mas libertar um povo inteiro de estruturas de opressão.

No cristianismo, a história da redenção atinge seu ponto central na figura de Jesus Cristo. Ele não vem apenas para ensinar, mas para encarnar a própria possibilidade de reconciliação entre o humano e o divino. A cruz, símbolo máximo de sofrimento e injustiça, transforma-se em símbolo de amor radical e entrega total.

Cabe aqui revisitar a História de Jesus Cristo, que foi anunciado por muito tempo por profetas, falando que Jesus daria a redenção a todo povo. Imbuído dessa condição, quando Jesus iniciou a praticar o seu sacerdócio, deixava claro que para existir a redenção era necessário que o sacrifício deveria ser do próprio homem a ponto de se prontificar para ser ele. Bem, como todos conhecem a História de Jesus Cristo, vou me ater na concepção de como se deu a organização da idéia da sacrificação de Jesus e os desdobramentos do fato. Jesus estando convicto da necessidade do seu sacrifício e para que a sua ação pudesse ser realmente realizada, articulou com Judas, o qual tinha maior condição de dicernimento por ter estudado e esta articulação consistia a entrega de Jesus por Judas aos romanos, mesmo sabendo que seria uma ação o levaria para o obscurantismo Histórico.



Continua...

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