No fio da Espada

A História da Redenção Humana


Da antiguidade aos dias atuais.



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Tudo ocorreu desde a entrega, prisão, condenação e crucificação. Agora de fato ocorria o sacrifício de um homem que préviamente preparado sabia da importância do ato para a humanidade a de ser imolado pela remissão dos pecados em contraponto à realização da redenção e eliminação dos pecados da antiguidade relatado no Velho Testamento. Quando falamos que a redenção além de pessoal, também tem que expressar o coletivo está correto, mas não basta. Por sermos corpo e alma, matéria e espírito a redenção também tem que estar disponível para os dois níveis, portanto o objetivo prático do sacrifício de Jesus de certa forma não foi atingido pelo fato de que quando Jesus estava sendo interrogado por Poncio Pilatos, que perguntou a Jesus Cristo se ele era o Rei dos Judeus, Neste momento deveria ter dito qualquer outra coisa, menos: "Que o meu Reino não é deste mundo", direcionando assim o ato da redenção para o campo espiritual, onde, para as coisas acontecerem depende da ação no plano material. Portanto diluindo a ação completa do processo da redenção. Que é o que acontece hoje. As pessoas entendem que a situação da salvação se dará só depóis que morrer. Se apegam à promessa de que Jesus voltará para que de forma vislumbrante e mágica, conceder a salvação para as pessoas. O que não acontecerá. Bem, aproveitando esse conceito, de certa forma Jesus tem retornado incontáveis vezes, toda vez que deparamos com um injustiçado, um faminto ou um desamparado.

A idéia de que Jesus voltará é o exemplo conceitual concreto de que usamos a concepção de Deus e a figura de Jesus Cristo como muletas, expressados no tamanho da nossa dor, do medo ou da ignorância.

A submissão ao círculo da rotina, dosada da carência de informações adequadas e deficiência na compreensão da nossa própria História e do meio a que estamos inseridos, não permitem que tenhamos um nível de consciência mais aguçada. Fazendo com que esqueçamos da nossa própria essência, mas que somos extremamente capazes, basta acessar o interior e acordar a divindade disposta em nosso íntimo, consolidando assim a redenção que é fruto e responsabilidade de cada um.

A redenção não depende apenas de rituais externos ou do cumprimento mecânico da lei, mas de uma transformação interior. “Rasgai o coração, e não as vestes”, dizem eles. Surge a ideia de que o verdadeiro exílio não é apenas geográfico, mas espiritual, e que a libertação começa dentro do próprio ser humano.

A reflexão interna nos mostram que as leis religiosas, nesse contexto, surge como instrumento de redenção. Elas não existem apenas para punir, mas para educar, organizar e orientar. O ser humano redimido é aquele que aprende a viver em justiça, responsabilidade e cuidado com o outro. A redenção passa, então, pela ética, pela convivência e pela construção de uma sociedade mais justa e disposto a lutar sempre pelo fim da exploração de uns sobre os outros.

Essa visão prepara o terreno para uma compreensão mais radical da redenção: ela não é apenas política ou moral, mas existencial. O ser humano precisa ser reconciliado consigo mesmo, com o outro e com o sagrado.

A redenção segundo o conceito cristão não ocorre pela força, pela imposição ou pelo medo, mas pelo amor. Um amor que perdoa, que acolhe, que se oferece. A ressurreição simboliza a vitória da vida sobre a morte, da esperança sobre o desespero, e afirma que nenhum erro humano é maior do que a possibilidade do recomeço.

Aqui, a redenção deixa de ser apenas uma promessa futura e passa a ser uma experiência possível no presente. Cada gesto de perdão, cada ato de compaixão, cada escolha consciente pela vida já é, em si, um ato redentor. E isto só será capaz se mergulhar-mos em nós mesmo e pulsar de volta a nossa essência.

Com o avanço do pensamento filosófico e científico, a redenção começa a ser compreendida também como responsabilidade humana. Filósofos como Kant, Hegel, Nietzsche e, mais tarde, os existencialistas, deslocam o eixo da redenção do céu para a terra. O ser humano não pode mais esperar passivamente por uma salvação externa; ele deve assumir a tarefa de se transformar. Nesse contexto, a redenção passa pelo autoconhecimento, pela ética e pela liberdade. Redimir-se é assumir as consequências das próprias escolhas, reconhecer os erros e agir de forma consciente para não repeti-los. Não se trata mais de apagar o passado, mas de integrá-lo de maneira madura.

As grandes guerras, os genocídios e as crises do século XX colocaram em xeque a ideia de redenção fácil ou automática. Como falar em salvação após Auschwitz, Hiroshima e tantas outras tragédias e distopias? A resposta de muitos pensadores foi dura, mas honesta: a redenção não é garantida, ela é frágil, e pode falhar.



Continua...

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