A responsabilidade eterna pelo que construímos e pelo que destruímos
Na existência por diferente que somos e pensamos, mesmo em situações e ações opostas, não somo inimigos. Mas parte de um mesmo processo e propósito.
Página 022
Cabe distinguir, um aspecto relevante, quando a ação distópica de um ser humano acontece porque o mesmo representa uma instituição ou sistema de poder. A instituição e o sistema neste sentido agem como elementos inimigos da condição humana. Tem que ser questionados e combatidos com ações que permitam transformações adequadas à filosofia humana. Mas que seus representantes sejam responsabilizados e punidos segundo o entendimento da leitura até aqui.
A verdadeira maturidade da consciência se revela na capacidade de conviver com o diverso sem a necessidade de dominação. O diálogo não exige concordância, apenas respeito. A escuta não significa submissão, mas abertura. É possível defender convicções com firmeza e, ao mesmo tempo, reconhecer a legitimidade da experiência alheia. Esse equilíbrio é um dos maiores desafios da humanidade.
Ao assumir que não somos inimigos, mas expressões distintas da mesma busca por sentido, damos um passo decisivo rumo à construção de um mundo mais consciente. A responsabilidade, nesse contexto, se amplia: não somos responsáveis apenas por nós mesmos, mas pela qualidade das relações que estabelecemos. Somos responsáveis pelo clima emocional, intelectual e espiritual que ajudamos a criar ao nosso redor.
Destruir o outro mesmo que simbolicamente, por meio do ódio, do desprezo ou da indiferença, é também destruir algo em nós. Construir pontes de entendimento, ainda que frágeis, é contribuir para a evolução coletiva. A humanidade não avança pela eliminação das diferenças, mas pela integração consciente delas.
Assim, viver de forma responsável é reconhecer que cada escolha deixa marcas. É compreender que não existe neutralidade na existência. Somos construtores e destrutores, mas sempre aprendizes. A consciência dessa responsabilidade não nos deve paralisar, e sim nos despertar. Despertar para agir com mais presença, mais ética, mais empatia e mais discernimento.
Tudo o que lemos até aqui não se trata de uma situação determinada pela existência da luta entre o bem e o mal. Todos temos dentro de si essa relação do bem e do mal. Definimos de acordo com o que prorizamos mais. Se mais um ou se mais outro. Portanto todas as distopias no mundo e nas existência não está na abstração conflitante entre o bem e o mal, porque filosóficamente e metafísicamente falando, no cosmo, os dois estão entrelaçados segundo a cada processo da construção e desconstrução de tudo, conforme cada propósito. A maldade do mundo é determinado pelo egoísmo, ganância e a ignorância que atua na existência da dominação e exploração do ser humano por iguais. A manipulação de uma classe sobre a outra gera a desigualdade e as injustiças. A classe privilegiada, para satisfazer seus interesses, submetem a grande maioria sob controle mesmo que para isso seja necessário usar de atrocidades inimagináveis.
No fim, a grande reflexão é esta: o mundo que habitamos é reflexo direto da consciência que cultivamos. O que construímos fora nasce do que construímos dentro. E enquanto aprendermos a assumir nossa responsabilidade sem negar a humanidade do outro, deixaremos de buscar inimigos e passaremos a reconhecer companheiros de jornada, cada um caminhando à sua maneira, em direção à compreensão de si e da vida. Todos rumo à construção de uma sociedade igualitária. Gerida pela auto-consciência e com os males todos dissipados.